Saiu na terça-feira 29 a decisão do programa Big Brother 11, da TV
Globo. Com direito a receber R$ 1,5 milhão, a modelo e atriz Maria
Melillo deixou o confinamento com a vitória. Foi, sem dúvida, um
programa em todos os sentidos rentável para Meg, como ela é
carinhosamente chamada. Ficou, no entanto, uma pergunta no ar. Em razão
da divulgação, via rede virtual, de uma série de vídeos e sites nos
quais Meg aparece em cenas insinuantes, suspeita-se de que ela tenha
sido uma garota de programa, do tipo que aluga serviços sexuais por
dinheiro. Isso tem mesmo alguma importância?
Pela Constituição da República Federativa do Brasil, a prostituição
não é crime nenhum. O que não se pode fazer, sob pena de se ir parar nas
barras dos tribunais, é a prática do lenocínio, ou seja, a exploração
da prostituição. Se Meg é ou não é uma garota de programa, essa é uma
questão que diz respeito, única e exclusivamente, a ela.
Outra questão é a qualidade do Big Brother. Desde a primeira edição, o
programa se revela uma gigantesca máquina de despolitização,
transmissor de maus costumes e promotor de um verdadeiro achatamento
moral da sociedade brasileira. Multiplicam-se, em todos os BBBs, sem
exceção, as cenas de bebedeiras, de troca de insultos e as expressões de
preconceitos de cor e preferência sexual. É proibido, por outro lado,
que os participantes se pronunciem sobre qualquer assunto político. Sob
pena de expulsão sumária, na casa em que, em tese, deveríamos todos
observar o comportamento humano dentro de uma jaula tecnológica, tudo
vale, menos tratar de temas de interesse coletivo, além das questões
mais rasteiras de comportamento. Há problemas sociais no Brasil? O BBB
não permite que eles sobressaiam nos diálogos. Existem alternativas de
solução? Igualmente isso é um tabu ali.
Se, no entanto, os humanos aqui fora tratam cada vez mais abertamente
destes temas, porque se insiste na vedação deles dentro da ‘jaula’?
Quem ganha com isso, a não ser quem aposta na desorganização e na
despolitização da sociedade brasileira? O que o BBB ensina às atuais e
futuras gerações ao resumir os humanos a um bando de sexistas, beberrões
e blasfemos? Esta pergunta, certamente, é mais importante de se fazer
do que se Meg, a vencedora, é ou não uma garota de programa. A boa
notícia, porém, é a de que cada vez mais pessoas estão se fazendo essas
perguntas. A audiência do BBB 11, afinal, foi a pior da série histórica
desta lamentável atração?
Com Brasil 247
Assista agora ao vídeo de Maria (ou Meg) na Dreamcam do YouTube:



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Potengi Na Internet
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