sábado, 29 de agosto de 2009

[leia] A tendência e o voto

É corajoso o diretor do Ibope, Carlos Augusto Montenegro. Cravar a vitória de José Serra (PSDB) na disputa presidencial de 2010, como ele fez na entrevista à Veja da semana passada, representa um gesto de ousadia evidente, especialmente para quem ganha a vida comandando uma instituição que ganhou prestígio no País pela capacidade de auferir a intenção de voto do eleitor brasileiro.


De elaborar o tal “retrato de um momento”. É elementar, pra mim, o erro que comete quem lança-se a decretar vitoriosos em processos eleitorais com antecedência de até mais de um ano, como é o caso. Erro grosseiro, inclusive, porque não há elementos capazes de dar segurança ao que anuncia Montenegro, já agora, em tons irrefutáveis.


Tudo que temos são hipóteses de candidaturas, alternativas de alianças, projetos de composições político-partidárias. É impossível que existam elementos suficientes para dizer, a partir do que está aí, que alguém seja carta fora do baralho. O Ibope ganhou respeito pela capacidade de captar a tendência de pensamento do eleitor, não por determiná-la.


Montenegro não é Deus e, não sendo-o, é impossível que consiga determinar como estará a realidade quando as candidaturas forem oficialmente levadas às ruas, em julho de 2010. Menos ainda para traçar o cenário que envolverá o eleitor no dia em que ele for votar, em outubro do mesmo ano de 2010.


O quadro apresenta-se imponderável demais para tornar definitiva qualquer conclusão que se tenha no momento. Um fato incontestável é o amplo favoritismo do atual governador de São Paulo, o tucano José Serra, quando considerados os nomes hoje postos como prováveis candidatos.


Outro fato que ninguém pode contestar se relaciona à força do petista Luiz Inácio Lula da Silva junto ao eleitor, medida pelas pesquisas, inclusive as feitas pelo Ibope. São realidades que se contrapõem e que tendem a ser levadas ao confronto na próxima eleição.


Pesquisa, digo isso a cada eleição que acontece, é um instrumento de grande importância dentro do processo de amadurecimento da democracia brasileira. No entanto, graças a Deus, ainda não importante o suficiente para tornar o voto dispensável. Guálter George. Editor-executivo de Conjuntura (Fonte: extraidas do site "O Povo")

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